Ateu desmente o mito dos “sacerdotes pedófilos”… ou pedófilos infiltrados?

Brendan O'Neill

LONDRES, 14 Set. 10 / 01:49 pm (ACI).- Um reconhecido colunista ateu denunciou que a imprensa secular inglesa desinforma os seus leitores ao afirmar que nos últimos 50 anos 10 mil pessoas sofreram um estupro por parte de sacerdotes.

“É verdade que 10 mil crianças nos Estados Unidos e outros milhares mais na Irlanda foram realmente violados por sacerdotes católicos? Em uma palavra, não”, escreveu Brendan O’Neill, editor da revista de humanidades Spiked.

“O que aconteceu é que no cada vez mais agressivo e quase inquisitorial mundo do lobby ateu e anti-Papa, toda acusação contra um sacerdote católico foi catalogada sob o título de ‘estupro’ e foi descrita como verdadeira sem importar se isso terminava em juízo ou em uma condenação”, explica.

Para O’Neill, “a frase ‘sacerdote pedófilo’ se converteu em parte habitual do jargão cultural cotidiano e faz que muitos, quando leram no jornal Independent (da Inglaterra) na semana passada que “mais de 10 mil crianças saíram à luz para dizer que foram violadas (por sacerdotes católicos), pensaram provavelmente, ‘sim, é possível’. Mas o certo é que isto não é verdade”.

O colunista explicou que das 10,776 acusações entre 1950 e 2002 contra 4,392 sacerdotes nos Estados Unidos, só 1,203 foram consideradas violações (estupros). O jornalista questionou a manipulação das cifras que faz o diário Independent e precisou que para o lobby ateu e anti-Papa “todo sacerdote é culpado daquilo que o acusam sem importar se ele assim foi julgado ou não por uma corte”.

O’Neill também sustenta que “em 2009 a imprensa irlandesa e britânica divulgou que ‘milhares de crianças foram estupradas’ por sacerdotes católicos e religiosos em escolas da Irlanda. A realidade é que 242 homens apresentaram 253 informes sobre abusos sexuais nestas escolas ante a Comissão que investiga o tema. Destas, só 68 resultaram ser estupros”.

“Uma vez mais, não todas as alegações resultaram em condenações. Alguns informes envolvem sacerdotes que já tinham morrido, e dos 253 informes resulta que 207 eram anteriores a 1969 e 46 deles às décadas de 70s e 80”.

“Como então 68 acusações sobre violação feitas contra o pessoal de escolas irlandesas em um período de 59 anos se podem traduzir em titulares que falam de milhares de estuprados?” questiona O’Neill e ele mesmo responde: “uma vez mais, tudo o que estava relacionado com golpes, abusos ou maus tratos –que sofreram milhares de irlandeses em escolas– foi colocado junto à palavra estupro, criando a imagem de ser uma instituição religiosa que estupra crianças diariamente”.

O editor do Telegraph Blogs e perito em religião, Damian Thompson, comentou a coluna de O’Neill e assinala que ele “nos fez um serviço ao escrever este artigo na véspera da visita do Papa (ao Reino Unido). E, por favor, não é necessário que me recordem os vis atos que foram cometidos contra crianças por alguns do clero católico. Eu os conheço. Eu escrevia artigos sobre o escândalo dos sacerdotes pedófilos no princípio dos anos 90 quando nem a Igreja nem a opinião pública parecia tão interessadas no tema”.

Por essa época, prossegue Thompson, “também eu escrevia ceticamente sobre o ‘ritual satânico do abuso’. Lembram disto? Para explicá-lo brevemente, muitas acusações sobre ‘abusos rituais’ resultaram ser infundadas. Entretanto, quem se negasse a ‘acreditar nas crianças’ era denunciado por apologia da pedofilia”.

Thompson assinala que “claramente uma pequena minoria de sacerdotes eram abusadores, enquanto que a evidência de adoradores do demônio e pedófilos é virtualmente inexistente” e acrescenta que nos anos 90 “os acadêmicos ou jornalistas que faziam perguntas estranhas sobre as bases empíricas das acusações de satanismo eram calados por um grupo cujos membros eram secularistas que odeiam a religião e protestantes extremistas. Podem me chamar de paranóico, mas parece que esta antiga aliança tornou novamente às andanças”.

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