Técnica de “debate” neo-ateísta: “Qual deus?”

: : : Via Quebrando o Encanto do Neo-Ateísmo : : :

Nessa técnica, ao apresentarmos argumentos a favor da existência de Deus ou discutirmos alguma aspecto de sua característica filosoficamente, o neo-ateu tenta barrar a discussão com um “Mas de qual Deus você está falando?”. Às vezes vem com a bizarra pergunta “Qual Cristo?”,  seguida de alguma constatação feita em cima do mais bizarro ainda documentário Zeitgeist.

Normalmente ocorre mais ou menos assim:

  • NEO-ATEU: Não existem argumentos para a existência de Deus. Se existir, me prove.
  • REFUTADOR: Claro que existem. Por exemplo, o argumento da causa primária, o argumento Cosmológico Kalam, o argumento fine-tuning, o argumento moral e muito mais.
  • NEO-ATEU: Ok, ok. Está certo. Mas de qual Deus você está falando? Krishna, Zeus, Thor, Isis ou Alá? hehehe

Temos que investigar essa técnica. Vamos utilizar o mesmo método de pesquisa que usava Aristóteles, que é o de análise da linguagem (como o neo-ateísmo é um movimento de base epicurista – ver aqui – que é o oposto do aristotelismo e do cristianismo, pois esses são voltados à busca da VERDADE, pode ser que ele não goste, já pela filosofia de Epicuro o mais coerente é decidir nossas crenças pelo EFEITO PSICOLÓGICO produzido pela escolha).

Para desmascarar a confusão, precisamos descobrir os sentidos dos termos:

  • (1) Deus (com inicial maiúscula):
  • (2) divindade;

A palavra “Deus”, grafada com inicial maiúscula, que indica nome próprio, refere-se a uma divindade com padrão específico, que é ser “infinito” e existir além do espaço-tempo. Já a palavra “divindade” que tem o mesmo sentido de “deus” (com minúsculo), refere-se a qualquer ser que tenha natureza divina, incluindo-se aí seres menores e finitos como Thor, Zeus, etc.

Embora Isis ou Osiris sejam divindades, não tem o mesmo padrão do que chamamos de “Deus”. Quando apresentamos argumentos filosóficos a favor de “Deus”, estamos a falar de um padrão ESPECÍFICO desse ser “infinito” e externo à matéria, não de qualquer divindade “random”.

Em resumo: embora “Deus” seja, normalmente, definido como uma divindade, nem toda divindade é “Deus”. É um truque bobinho e facilmente desmascarável.

Já para Alá, não há diferença alguma. “Alá” ou “Allah” é somente a palavra usado por árabes para se referir à Deus. Perguntar se é “Deus” ou “Allah” é tão lógico quanto perguntar se estamos apresentando argumentos para “God” ou “Dios”.

Talvez ele tente ainda “Mas a Bíblia e o Alcorão discordam sobre algumas ações de Deus”.

Essa é a técnica de Inversão de Planos (filosófico e teológico).

Quando estamos falando de argumentos filosóficos, estamos falando de características OBJETIVAS sobre esse ser. A discordância entre judeus, cristãos, muçulmanos e deístas se dá apenas no plano teológico, referentes apenas à aspectos subjetivos sobre a revelação, que devem ser analisados em um plano diferente do qual foi feita a apresentação dos argumentos para existência de Deus (ex. deístas acreditam que Deus nunca se relacionou com os humanos, muçulmanos acham que Maomé é o profeta, etc.). O ponto é que essa discordância sobre revelação não altera o objeto discutido. O fato de duas filhas divergirem sobre qual o emprego do pai, por exemplo, não faz elas estarem se referindo a duas pessoas diferentes, não é mesmo?

A refutação pode ir assim:

  • NEO-ATEU: Não existem argumentos para a existência de Deus. Se existir, me prove.
  • REFUTADOR: Claro que existem. Por exemplo, o argumento da causa primária, o argumento Cosmológico Kalam, o argumento fine-tuning, o argumento moral e muito mais.
  • NEO-ATEU: Ok, ok. Está certo. Mas de qual Deus você está falando? Krishna, Zeus, Thor, Isis ou Alá? hehehe
  • REFUTADOR: A palavra “Deus” refere-se a um padrão específico de um ser que, por definição, existe além da realidade. Thor, Zeus e Isis são divindades menores que não encaixam no padrão sugerido dos argumentos. Já “Alá” é a palavra usada pelos arabes para se referir ao que chamamos de “Deus”. Filosoficamente, não há diferença alguma no que estamos falando. Arranje algo melhor.

Conclusão

Técnica facilmente refutável. Basta lembrar que “Deus” é um nome próprio que se refere a uma divindade específica com um padrão específico – chamada pelos islâmicos de “Allah” – que não se encaixa nos deuses menores politeístas.
(*) Esse texto será revisado.

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